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TRAVESSIA OFF ROAD DA LOUSÃ A FUENTES DE OÑORO

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No fim-de-semana de 6 a 8/Dez, acompanhámos os amigos da Land Lousã numa espectacular e animada travessia 4×4 desde aquela Vila até Ciudad Rodrigo. A meteorologia anunciava frio q.b. e dias solarengos, com a pressão barométrica estável. A secção off road da primeira etapa terminou, já de noite, no Folgosinho, metendo a caravana azimute para Pinhanços, onde a maioria dos participantes degustou um animado jantar e passou a noite. No domingo, rumámos novamente a Folgosinho, seguindo quase sempre por terra até Fuentes de Onoro, e depois, por estrada até Serradilla del Llano (cerca de 22 km a SE de Ciudad Rodrigo), onde ficámos para segunda-feira. Ficam algumas fotos cedidas pelo Artur Ferrão e um filme que coloquei no Youtube.

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QUAL O MELHOR VEÍCULO LIGEIRO PARA EXPEDIÇÕES?

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Qual o melhor veículo ligeiro para expedições?

Antes de procurar responder a esta aparentemente simples pergunta, devo esclarecer o que entendo por expedição. Assim, considero que estamos perante uma expedição quando estão reunidos quatro dos seguintes critérios:

  • Duração de duas ou mais semanas;
  • Exigência de planeamento de trajectos maioritariamente fora de estrada e com dificuldades geográficas;
  • Inexistência de alojamento e parques de campismo na maior parte dos dias de viagem;
  • Risco de inexistência de meios de resgate tradicionais para a viatura ou ocupantes;
  • Inexistência ou dificuldade de acesso a rede telefónica/telemóvel, hospitais, oficinas, etc., devido ao isolamento ou distância a que se encontram.

A resposta óbvia será de que não existe um melhor veículo para expedições. Tudo depende do tipo de expedição que ambicionamos fazer, do grau de autonomia, do isolamento versus  disponibilidade de auxílio em caso de necessidade, da duração das expedições/autonomia, do espaço disponível, do tipo de terreno que esperamos percorrer na maior parte do tempo, enfim, de um sem número de variáveis que, no limite, acabam sempre condicionadas pelo investimento que estamos dispostos a efectuar.

Outros aspectos a considerar e que creio serem dos mais importantes: a resistência e fiabilidade, o tipo de combustível, a versatilidade da viatura quando não em expedição, a sua provada reputação em situações difíceis ou mesmo extremas, a facilidade de acesso a peças e a uma rede de concessionários ou apoio mecânico em locais remotos.

Para mim, tem de ser uma viatura que, de uma forma racional, sirva os meus propósitos. Num planeta em que, cada vez mais, há menos lugares  inexplorados/inacessíveis, fará sentido investir num veículo específico para o efeito, um “puro e duro” (seja isso o que for) em que cada quilometro percorrido, aos saltos numa longa e dura pista de pedra, acaba por retirar o prazer da viagem? – Certamente, há quem responda que sim, principalmente, quem nunca fez milhares de quilómetros seguidos em pista e nem faz ideia do que isso pode representar.

No início deste ano, investi muitas horas a tentar perceber qual seria a melhor solução para adquirir uma viatura que preenchesse os meus requisitos para os próximos 15 ou mais anos.

De entre os vários que estabeleci, considerei como principais os seguintes:

  1. Plataforma e motor (gasóleo) com provas dadas em terrenos difíceis;
  2. Versatilidade que permitisse adaptá-la para expedições longínquas, ir às compras ao supermercado ou simplesmente passear ao fim-de-semana;
  3. Boa distância entre eixos, comprimento total por volta dos 5 metros, boa capacidade de carga e para viajarem confortavelmente 4 adultos em segurança;
  4. Existência de acessórios específicos para expedições, de reputação irrepreensível e com possibilidade de homologação;
  5. O mínimo possível de sistemas electrónicos ou com possibilidade de os desligar sem comprometer a capacidade de se movimentar;

Por último e em resumo, que tivesse uma relação preço / qualidade / durabilidade / satisfação” que justificasse o investimento.

Relativamente aos componentes a instalar, uma primeira abordagem deverá proporcionar resposta à dúvida mais importante: vamos circular essencialmente sozinhos ou com outra(s) viatura(s)? No primeiro caso, será prudente equipar a viatura com mais acessórios de desatasco e resgate do que se viajar acompanhado. Nesta situação, há sempre a possibilidade dos participantes dividirem entre eles um conjunto de acessórios/meios que podem ser partilhados; alguns exemplos de partilhas possíveis: pranchas de desatascamento, cintas de reboque e manilhas, Hi-lift ou equivalente, pneus sobresselentes, etc, etc.

No meu caso, decidi instalar:

  • pára-choques mais robusto, com melhor ângulo de ataque e suporte para colocação de um guincho com 9000 Lbs de capacidade;
  • bloqueios mecânicos dos diferenciais;
  • estribos laterais;
  • faróis auxiliares de longo alcance;
  • rádio cb e vhf;
  • Inversor de 1000 w;
  •  rollbar no interior da canopy com ligação às barras de suporte de carga no tejadilho;
  • tenda 4×4 no tejadilho da canopy e, se necessário, grade ARB no da cabine dupla;
  • gavetas desmontáveis com capacidade para cerca de 400 L de carga;
  • 4 jerrycans de 20 L de gasóleo e depósitos de 60 a 110 L de água;
  • gerador a 4 tempos;
  • 4 pranchas de desatascamento + cintas + manilhas;
  • compressor 170 L/min;
  • Toldo 1,70×3 m;
  • Frigorífico c/ compressor;
  • Kit de cozinha;
  • Outros

Tirando os sete primeiros, todos os subsequentes podem facilmente ser desmontados e guardados. A opção por esta configuração, com tenda de tejadilho, é a mais prática e confortável para quem faça expedições esporádicas, tem robustez e eficácia/duração comprovadas, permitindo estabelecer um acampamento em poucos minutos, quaisquer que sejam as condições atmosféricas e o tipo de terreno. Falta-lhe um sistema de duche quente (excepto por radiação solar) e wc química – facilmente superáveis, se e quando se vier a justificar.

Penso assim, respeito que pense diferente. Faça o mesmo e viaje.

Por último, algumas fotos dos 4×4 que mais marcaram as minhas expedições, incluído o actual Toyota Hilux 3.0 D4D (clique na primeira e veja todas em tamanho maior e slideshow).