100azimutes


CHILE – EL TATIO

0100

O vulcão e os Geysers de El Tatio são uma das principais atracções relativamente próximo de San Pedro de Atacama. Situados na cordilheira dos Andes, a 4.200 m de altitude, proporcionam um fabuloso espectáculo visual ao nascer da aurora (entre as 0600 e as 0700) momento em que os raios do sol começam a atingir o centro da enorme cratera vulcânica. Por volta das 0040 da madrugada, ainda meio a dormir e com uma temperatura ambiente de –4º, rumámos ao vulcão sob intenso manto de nevoeiro. Quando lográmos “furar” a cortina nebulosa, a luminosidade da lua cheia “ali tão perto de nós” proporcionou uma excelente antecâmara de um espectáculo natural que nenhuma fotografia conseguirá transmitir. A atividade termal desenvolve-se numa área de 10 km2 na cratera do vulcão, envolvendo geysers, fumarolas e nascentes de água quente. Cumpre realçar que o acesso ao PN é pago, e que as instalações de apoio ao viajante são bastante boas, incluindo um posto de socorro, preparado para prestar assistência a eventuais problemas respiratórios associados à altitude e ao clima agreste.

Anúncios


CHILE – O SALAR DE TARA

Antes de chegarmos a San Pedro de Atacama, pouco conhecia sobre o Salar de Tara – excepto que poucas agências proporcionavam transporte para o local, que os preços eram elevados e que era presumivelmente impossível chegar até lá sem ser acompanhando uma dessas viagens. Portanto, tivemos de tentar perceber onde ficava esse aparente paraíso, de que apenas tinha lido parcos relatos e visto algumas fotografias espantosas.

Depois de um magnífico jantar num restaurante a céu aberto e com uma grande fogueira no centro da sala, combinámos que nos separávamos e íamos vasculhar nas agências de viagens de San Pedro alguma informação que nos fornecesse uma pista. Era um segredo bem guardado, nenhuma fotografia, mapa ou prospecto mostrava a localização. No entanto, com alguma habilidade lá conseguimos obter informações que me permitiram ir para o bungalow tentar estabelecer um trajecto para lá chegar. Seria uma viagem para um dia completo, com cerca de 250 a 300 kms, muito tempo acima dos 4.500 metros de altitude e com navegação por azimutes pois não havia pistas marcadas.

Partimos bem dispostos e chegámos ao Salar sem avistar vivalma, rodeados por paisagens de outro mundo. Quando parámos, fomos abordados pelo motorista de uma “monstruosa” carrinha 4×4 americana que, entre duas taças de champanhe servidas ao casal que transportava, nos disse que fazia aquele percurso há vários anos e era a primeira vez que alguém ali chegava pelos próprios meios. Perguntou a nossa nacionalidade e, inchados de orgulho, dissemos: viemos de Portugal.

As fotos que seguem procuram ilustrar timidamente o que vimos – porque o que sentimos foi indescritível.

Uma nota de pé de página: os mais de 4.800 m de altitude que ultrapassámos pouco ou nada têm a ver com a mesma altitude nos Himalaias… os Andes são muito menos agrestes…



CHILE 2009 (ATACAMA E NÃO SÓ) -12

Imagem

As lagoas Meniques e Miscanti situam-se no altiplano andino da região de Antofagasta, a cerca de 4.200 metros de altitude e a 110 Km a sul de San Pedro de Atacama, em linha recta.

Integram a Reserva Nacional Los Flamencos e ficam relativamente próximo de uma pequena povoação dedicada à pastorícia – Socaire.

Numa paisagem árida e seca, destacam-se os vulcões Miscanti e Meniques que, em conjunto com o sistema montanhoso de Puntas Negras, Chuculaqui e Chaique dão origem às bacias aquíferas que formam as lagoas.

A Miscanti tem uma superfície de 15 km2 e recebe água das chuvas de verão e do degelo. A pequena Meniques (1,5 km2) e com um desnível de cerca de 5 a 10 metros, recebe água, principalmente, por veios subterrâneos da provenientes da  Meniques.

Apesar da altitude e clima de extremos, existe uma fauna abundante, tendo observado vários patos e algumas aves que não conseguimos identificar, as vicunhas (guanacos, na argentina) e uma raposa.

Os visitantes devem respeitar as indicações dos guias.



PN TORRES DEL PAINE

Torres del Paine

O Parque Natural (PN) das Torres del Paine tem uma área aproximada de 1.810 km2 e é um local de sonho.A entrada no PN é paga (há 3 portões) e a segurança no seu interior é irrepreensível. A esmagadora maioria dos turistas vai de avião até Calafate na Argentina, ou Punta Arenas no Chile. Pela minha parte, o PN foi um dos mais emblemáticos locais de uma memorável viagem de 3 semanas em 4×4, descendo os Andes pela Ruta 40 e pela Carretera Austral, desde Neuquen até Ushuaia.

Paso Cancha Carrera

  Para aqui chegarmos, atravessámos os Andes pela pista que conduz ao remoto posto fronteiriço de Cancha Carrera e daí partimos para este fantástico local, onde ficámos alguns dias inolvidáveis.

Carretera Austral

  O PN encontra-se maioritariamente na XII região administrativa do Chile, tem um clima relativamente agradável (máx. de 20º C no Verão e mínima de – 5º no Inverno) sendo que o vento pode fazer descer repentina e violentamente a temperatura, 6 ou 7 graus.

Acesso ao PN Torres del Paine

  Aliás e em rigor, os ventos térmicos ao fim da tarde, com o súbito arrefecimento da temperatura na montanha, provocam, durante algumas dezenas de minutos, rajadas muito fortes nas zonas mais quentes dos vales, rasgando tendas e transformando um acampamento mal realizado numa autêntica miséria.

Nele abunda uma vegetação pré-andina (zona dos lagos – a água nunca “aquece” acima dos 5º C), ladeada por frondosos bosques e tundra, que desaparece em altitude.

Choiques na tundra

 Estas características favorecem o desenvolvimento de grandes mamíferos, como o Puma (que não vi), os Guanacos, os Zorros e muitos outros. No que respeita à avifauna,  existem cerca de 100 espécies, desde o Condor, às Águias, Cisnes, Flamingos, Patos, etc, etc.

Guanaco "curioso"

Patos

Zorro ou Raposa da Patagónia

Ao chegarmos ao Camping Las Torres, procurámos um local o mais abrigado possível do previsível vento que desceria da montanha ao fim da tarde, reforçando as estacas e espias do lado das Torres e colocando pedras no interior das tendas de modo a evitar que o vento as levantasse do chão e destruisse.

O "nosso" acampamento

O trekking é a actividade mais praticada no PN, sendo acessível a qualquer pessoa, desde que se tomem os cuidados necessários. Os caminhos (senderos) estão devidamente assinalados, tanto na zona central (Grande Santuário) como os que conduzem aos refúgios de montanha.

Trekking a caminho das Torres

Torres del Paine

Torres del Paine

Torres del Paine

No regresso ao acampamento base, a paisagem continuava a ser deslumbrante. Após cerca de 8 horas de caminhada, os pés doiam mas a alma estava revigorada. O ar é puro, a luminosidade é inexcedível, bebemos sem grandes receios água que jorrava em pequenas cascatas desde o topo da montanha e voltámos cansados mas felizes.

Regresso ao acampamento base

Regresso ao acampamento base

Cavalos

O PN, sendo propício às longas caminhadas em ritmo moderado, também permite circular com segurança de moto, bicicleta, ou qualquer outro tipo de viatura, facilitando o acesso aos locais mais aprazíveis num relativamente curto espaço de tempo. Foi o que fizemos nos dias seguintes, percorrendo os bons estradões para chegar aos locais escolhidos, daí partindo em pequenas caminhadas para os spots mais fabulosos.

Porque as imagens “falam” melhor do que tudo o que possa escrever, deixo um “punhado” de bonecos e estou disponível para dar informações quem possa estar interessado.

Até à próxima, quiçá numa ilha do Atlântico.

Na pista para Los Cuernos e Lago Nordenskjold

Guanacos

Ao fundo, Lago Nordenskjold e Los Cuernos

Guanacos

Guanacos

Lago Nordenskjold e Los Cuernos

Lago Nordenskjold e ponte p/ Hotel do Lago Grey

100azimutes c/ Lago e Glaciar Grey em fundo

Até um provável regresso 🙂

Mapa PN Torres del Paine