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ARGÉLIA # ARGÉLIE 2018: TADRAT BIVOUAC 2 a 3 (Ep 5)

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EP 5 DIA 21

Pode parecer monótono, mas, para não variar, a alvorada voltou a ser bem cedo. Pequeno-almoço tomado e acampamento desmontado, partimos para mais uma etapa, em ritmo bastante lento, devido aos problemas na suspensão da viatura dos guias. Após a visita a um magnífico Guelta seco situado a poucas centenas de metros de onde pernoitámos. A “coisa” tornou-se mais crítica devido a alguma dureza de partes significativas da pista, que alternava pedra e areia. Talvez devido à reduzida velocidade a que circulávamos, aumentaram as incursões de alguns participantes em pistas aparentemente paralelas, mas que nem sempre conduziam a um ponto de intersecção. A riqueza arqueológica do Tadrart e as sucessivas paragens para observarmos os inúmeros locais deste santuário que a UNESCO classificou como Património Mundial iam permitindo o reagrupar de quem se aventurava por outros caminhos. Este reagrupamento era mais duradouro nos pontos fulcrais da etapa, fossem as formações rochosas, alguns dos vestígios pré-históricos, ou os ex-libris do relevo, como a fabulosa descida da grande duna de Moul N’Aga (uma brutal descida de cerca de 50 metros na vertical, que nenhuma foto ou filme consegue mostrar – gráfico e foto infra).

Moul N'Aga

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Aqui, cumpre referir que, pela primeira vez, nos cruzámos com alguns turistas em viaturas 4×4 conduzidas em ritmo acelerado por guias argelinos. Perante tantos vestígios arqueológicos e tamanha beleza paisagística, o que me “encheu mesmo as medidas” foi a descida da grande duna de Moul N’Aga. A subida, realizada por barlavento, não sendo difícil, proporcionou alguns atascansos ligeiros. No que respeita à arrepiante descida, só vos digo que houve quem se recusasse a conduzir a viatura e tenha passado o volante ao pendura. Curiosamente, o guia que conduzia o Toy alugado pelo Sérgio, ficou longos minutos preso na crista, provavelmente fruto de alguma hesitação entre a velocidade de chegada ao topo e a travagem/levantar do pé que eram necessários para evitar descer às cambalhotas. Por último, duas inevitabilidades: a primeira, algum stress resultante de uma perda de vista do “grupo paralelo”, onde foi notório algum desnorte momentâneo; a segunda, um serão muito trabalhoso para quem se ocupou da árdua tarefa de substituir as destruídas suspensões da viatura do guia pelas novas, que entretanto foram trazidas até ao acampamento. No Wikiloc está o trajecto e os POI dos principais motivos de interesse visitados. O vídeo será publicado brevemente.

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ARGÉLIA # ARGÉLIE 2018: TADRART # FILME DO EP 4
26/03/2018, 22:36
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Boas, como prometido, clicando infra, podem aceder ao filme do artigo 4 da Expedição Argélia 2018. Espero que gostem.

 



ARGÉLIA # ALGÉRIE 2018: BIVOUAC 1 a 2 (EP 4)
18/03/2018, 19:27
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O acordar deste dia 20 de Janeiro, segundo dia no Tadrart, voltou a ser madrugador, a saída estava programada para as 0800 e foi por volta dessa hora que partimos, com legítimas expectativas sobre o que nos reservaria esta etapa. Como, contrariamente ao que havia sido combinado, apenas uma viatura levou “carburante” para aquecer as noites geladas do deserto, teríamos que arranjar lenha seca que nos pudesse aquecer. Assim, os nossos guias começaram bem cedo a mostrar o conhecimento que tinham da zona, principalmente, se tivermos em consideração que há 10 anos não lideravam nenhuma caravana por aquela zona. De caminho, levaram-nos a um planalto onde uma árvore completamente seca colocou à prova quer a habilidade para a derrubar, quer a energia e empenho para a cortar e fizeram outra incursão num canyon sem saída para recolher lenha que chegasse para as restantes noites de deserto. Pelo meio, mais alguns atascos nas dunas bem como as primeiras brincadeiras mais a sério. Não recordo bem, mas penso que foi por essa altura que percebemos que a viatura dos guias tinha partido um amortecedor. Como tinha levado dois amortecedores de reserva (frente e traseiro), informei que emprestava o conjunto amortecedor/mola adequado. Talvez para não atrasar a caravana, os guias optaram por continuar assim e fazer a substituição à noite. Essa opção veio a revelar-se errada pois, algumas horas depois, sucedeu o que era inevitável, cedeu o segundo amortecedor, obrigando a que o ritmo lento se tornasse ainda mais lento. Tal situação tornava inútil o empréstimo do meu amortecedor e imperioso conseguir dois amortecedores “coil over” novos. Aqui, se não fossem os dois telefones satélite que levámos, pedir ajuda obrigaria a que uma viatura transportasse o guia até um local com rede, o que poderia hipotecar um dia da viagem – um tema a rever pela agência. Tirando isso, fomos progredindo vagarosamente de núcleo em núcleo de gravuras e/ou pinturas rupestres. Desiludidos, alguns participantes começaram a afastar-se da caravana e, por vezes, a ficarem completamente “por sua conta”. Não seria assunto caso houvesse possibilidade de comunicação (rádio ou telefone satélite entre os dois grupos) mas isso não aconteceu e, mais uma vez, sucedeu o que previsivelmente, mais cedo ou mais tarde seria de esperar: o grupo perdeu contacto e houve umas dezenas de minutos de algum desconforto. Esta situação fez-me recordar uma expedição em que, no planalto de Rekkam, há muitos anos, sucedeu a mesma coisa e só reencontrei quem quebrou as regras estabelecidas no dia seguinte, cerca de 200 kms depois (Paulo Alves, se leres isto e quiseres opinar, opina). Dadas as circunstâncias, o ambiente estava algo tenso e, nestas paragens, o nervosismo nunca é bom conselheiro. Assim, e como a substituição dos dois conjuntos mola/amortecedor só ficou prevista para o final do dia seguinte, metemos azimute para um descanso mais cedo que o planeado. O serão acabou por ser agradável,  com tempo para convívio e tentar umas fotos à nossa galáxia  (clicando nas fotos podem ver em tamanho maior). O trajecto está no Wikiloc e o filme será publicado assim que possível. Espero que gostem.

 

 



ÁRGÉLIA # ARGÉLIE 2018: DJANET A BIVOUAC 1 (FILME)
11/03/2018, 23:24
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Boas, conforme prometido no Ep 3, deixo-vos o filme da etapa.

Espero que gostem.

 



ARGÉLIA # ALGERIA 2018: DJANET A BIVOUAC 1 (EP 3)
06/03/2018, 01:42
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D6 – 19/JAN (DJANET A BIVOUAC 1)

WIKILOC

Depois de um razoável jantar e uma noite muito bem passada no Hotel Tenere Village, chegou o momento por que mais ansiávamos: embrenharmo-nos nas ruelas e souk da Pérola do Sahara (Djanet), abastecermos os víveres, água e combustível necessários para os 7 dias seguintes, respirar fundo, e partir para o Tadrart, no PN do Tassili n’Ajjer.

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Correndo o risco de parecer pretensioso, nada do que li sobre o Tadrart faz justiça ao que fomos encontrar: um mar de paisagens fantásticas, com dunas de múltiplas tonalidades, formas e dimensões, que se estendem para lá da linha do horizonte; maciços de arenitos que fazem lembrar alguns cenários fantásticos de planetas imaginários da saga Star Wars; milhares de vestígios pré-históricos nos locais mais inacreditáveis; formações rochosas moldadas pela erosão do tempo e do vento durante milhares de anos, proporcionando contornos que se assemelham a gigantescas esculturas. Enfim, é um pouco desse espectacular percurso de cerca de 800 kms/7dias que procurarei timidamente transmitir neste e nos próximos artigos.

Como já referido, a manhã do dia 19 estava reservada para conhecer Djanet e efectuar todos os reabastecimentos indispensáveis ao total isolamento dos 7 dias no Tadrart, sem escolta ou interferência de vivalma.

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Iniciada a etapa pela estrada que conduz à Líbia e ao Níger, o nosso guia procurou uma acácia suficientemente grande para proporcionar alguma sombra durante o almoço, feito de kebabs e frangos assados, previamente adquiridos em Djanet.

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Reiniciada a etapa (geralmente, eu e o Brito fechávamos a caravana) o grupo dirigiu-se ansiosamente para o início das “hostilidades” proporcionadas pela entrada na areia do Sahara. Era tal a ansiedade que só nós e o Rui Rodrigues, no HDJ 100, parámos na placa que anunciava as duas únicas alternativas por estrada: Líbia ou Níger…

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Feitos os registos para a posteridade, reunimos pouco depois com o resto do grupo. Mais alguns quilómetros percorridos, entrámos numa pista relativamente rápida e consistente que, mal apareceu a primeira duna a vencer, deu origem aos primeiros atascados.

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Resolvidos os primeiros atascos (e cumprido o controlo militar à entrada do PN Tassili N’ Ajjer, com verificação das viaturas e seus ocupantes), os nossos guias levaram-nos, com um ou outro percalço, até ao primeiro local de bivouac, onde chegámos já na penumbra do final da tarde. A coisa começava a prometer. Foi a nossa primeira noite em total isolamento. Os mais ligeiros sons não identificados inspiravam algum receio – afinal, a Líbia parecia-nos demasiado perto e não tínhamos ninguém para nos socorrer…

O diaporama infra contém as fotos desta etapa e, brevemente, colocarei o vídeo.

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ARGÉLIA # ALGERIE 2018: ORAN A DJANET (EP 2)

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D1 – 14 JAN (ORAN a TIARET: 245 kms)

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Como referido no artigo anterior, a Argélia é um enorme país, com cerca de 4,4 vezes a área da França. Pretendendo focar-me com maior detalhe nos cerca de 800 kms feitos em 4×4 e total isolamento, procurarei deixar-vos aqui algumas ideias gerais sobre os 2.400 kms iniciais, feitos de Oran até Djanet, reservando para o artigo final, uma breve avaliação meramente pessoal e comentários sobre as cidades de Oran e Ghardaia. Assim, como na expedição havia participantes de várias regiões de Portugal, combinámos encontrar-nos pelas 18H00 de 13 de Janeiro no porto de Almeria. Depois de um óptimo jantar, embarcámos rumo a Oran cerca das 23H00.

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PORTO DE ORAN

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Chegámos a Oran pelas 09H30, após cerca de 9 horas de navegação calma pelo Mediterrâneo (houve uns quantos expedicionários que não partilharam desta minha apreciação do estado do mar…). As verificações policiais e alfandegárias estavam a correr bastante bem, até que, inesperadamente, más notícias: informaram que uma das viaturas constava na base de dados da Interpol como tendo sido roubada. O proprietário explicou que, efectivamente, teria sido roubada há uns anos, e posteriormente recuperada e adquirida legalmente, mas, depois de várias horas de contactos, veio a confirmação do pior: teriam que se retirados todos os pertences (que foram distribuídos pela maioria dos outros veículos) e entregues as chaves e documentos até que houvesse autorização da Interpol para ser devolvida. Durante a espera, e embora soubéssemos que era proíbida a entrada de rádios de comunicações, tínhamos levado alguns portáteis que tiveram de ser entregues e ficaram em depósito até ao regresso. Deste modo, a tarde já ia avançada quando, finalmente, iniciámos a viagem de 5 dias, quase sempre escoltados pela polícia, gendarmerie ou equipas de segurança. A primeira tarefa, foi abastecer todas as viaturas. O gasóleo custava uns estonteantes € 0,15 (câmbio oficial 1: 140, mas variando entre 1:150 e 1:195), ou seja, meti 60 litros de bom gasóleo por 9,23 Euros – a “coisa” começava a melhorar!

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Apesar do rápido entardecer, ao deixarmos a autoestrada para Argel, a Polícia decidiu uma paragem para refeição numa pizzeria em Oued Tlelat (a comida não era má, mas o sistema de ventilação enchia as salas com o fumo que saía dos grelhadores no exterior). À saída, começámos a circular já na penumbra e, pouco depois, na mais completa escuridão, sempre escoltados e com os 4 piscas ligados, para uma mais fácil identificação. A alguns quilómetros de Tiaret, fomos interceptados por uma unidade militar especial, que assumiu a escolta, impedia ultrapassagens de viaturas estranhas que pudessem intercalar-se na coluna e nos conduziu a um bom hotel em Tiaret.

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Hotel Bouazza, Tiaret

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Provavelmente, devido ao adiantado da hora o jantar foi frugal. Todavia, talvez mais pelo nervosismo do sucedido na alfândega do que pelo cansaço (ou por tudo isso), a maioria dos participantes (impedidos de se ausentarem do hotel) meteram azimute aos respectivos quartos e procuram ter a melhor noite possível – no nosso caso, o triplo foi partilhado com o Calisto e o Brito.

D2 -15 JAN (TIARET a OUARGLA: 673 kms)

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O despertar foi violento para alguns, pela minha parte, habituado a despertar bem cedo, nada a apontar. A escolta chegou a horas e partimos por volta das 6H30, rumo a Aflou, onde reabastecemos, continuámos por Laghouat e entrámos na Transahariana. Por volta das 12H30, a gendarmerie deu indicação para pararmos e almoçar próximo do cruzamento para Bellil . Quase literalmente, fomos “trancados” numa pequena sala onde almoçámos rapidamente. Uns pacotes de Compal com defeito (estranhamente, continham verdadeiro “sumo de uva”) ajudaram afastar a sensação de claustrofobia.

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Regressados às viaturas, foram quilómetros e mais quilómetros sem grande interesse paisagístico, prejudicados pelo sol quase frontal. De quando em quando, víamos alguns Ergs ladeando a estrada. Esta, era boa (aliás, cumpre escrever que, genericamente, são boas) mas monótona. O objectivo era ultrapassar Ghardaia e continuar o mais possível para sul. Chegados à cidade em ritmo rápido, ficámos parados na estrada circular exterior bastante tempo; segundo me disseram, o guia tinha ido comprar abastecimentos. Entretivemo-nos a tirar algumas fotografias e a conversar amigavelmente com alguns elementos da escolta – curiosamente (ou não) havíamos de os reencontrar no regresso. Com o regresso do guia, correu a informação de que iríamos acampar no Oásis de Ouargla. Houve quem “rezasse” para ficarmos num hotel. Pela minha parte, estava entusiasmado, havia feito a minha pesquisa para a viagem e estava à espera do que se pode ver na foto que segue.

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Infelizmente, nem hotel, nem oásis. Por motivos que não foram explicados (supostamente: a nossa segurança), ficámos num descampado, irregular e com algum lixo, junto a uma rotunda com guarnição militar. A noite anunciou-se bastante fria e ventosa. As condições foram deploráveis,  amenizadas pela entreajuda dos participantes, pela compreensão dos militares que permitiram acesso através da rede ao WC deles e à montagem de algumas tendas no interior da vedação, pela inesperada confeção de uma  muito saborosa harira (sopa) pelo cozinheiro enviado (por engano) pela agência contratada e, fundamentalmente, pela animação proporcionada pelo ajudante deste, razoável tocador de viola e fabuloso conviva com os expedicionários.

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D3 – 16 JAN (OUARGLA a HASSI BEL GEBBUR: 440 KMS)

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Para não variar, o despertar foi novamente bastante matutino (tipo 05H00 de Portugal). Com a claridade a surgir constataram-se alguns estragos no acampamento e retemperaram-se as forças e o moral com um bom pequeno almoço também fornecido pela Mouflon. Saímos da malfadada rotunda em direcção a Hassi Messaoud e ficámos, pela primeira vez, uma eternidade à espera da escolta subsequente. Nesse ínterim, tivemos de improvisar um wc junto a uns arbustos de uma rua menos movimentada e reparar um fuga de líquido de refrigeração numa das viaturas. Quando finalmente chegou, os expedicionários de duas viaturas que não tinham adquirido cartões argelinos para o telemóvel pediram para serem “acompanhados” a um local de aquisição, oportunidade que eu e outro expedicionário decidimos aproveitar para reabastecer as nossas viaturas. Foram cenas dignas de um qualquer filme tipo 007, principalmente, na estação de serviço, em que o nosso “anjo da guarda”  de metralhadora ao peito, em posição de alerta,  não saiu da traseira do Toyota dos “Algarvios” (que abasteceu primeiro) e enquanto reabasteci. Este episódio foi filmado por esquecimento (a sony ficou ligada o tempo todo) mas quando editar, terei de tapar-lhe o rosto. Quando, finalmente, partimos, já era quase tempo de almoço, pelo que os gendarmes saíram da estrada nos arredores de Hassi Messaoud, dirigindo a caravana para uma zona plana, enquadrada por dunas, que alguns subiram para montar um perímetro de segurança. Tempo para almoçar: 30 minutos!

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ALMOÇO, COM SEGURANÇA ARMADA NAS DUNAS

Almoço ingerido rapidamente, lá partimos novamente em direcção a SE, até pararmos junto a uma base militar para nova rendição da escolta. A sombra proporcionada pelos arbustos que acompanhavam a rede de segurança da base proporcionou um conjunto de “wc low cost” bem arejadas para alguns aflitos. Para outros, deu para um pouco mais de “brincadeira”…

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Novamente a rolar e com alguns expedicionários a fazer contas aos vapores de gasóleo que restavam nos respectivos depósitos, chegámos a uma paupérrima estação de serviço, quase a fechar, mas repleta de camiões em fila para abastecer (Hassi Bel Gebbur, não havia mais nenhuma nas proximidades e era necessário muito mais que vapores de gasóleo para lá chegar). Penso ter sido por isso que os militares nos mandaram para mais um “fantástico” local de acampamento, a uns duzentos metros da estrada e no extremo oposto onde os camionistas paravam as suas viaturas para descansar. Pela minha parte, observámos um razoável pôr-do-sol, fiz um timelapse e dormi lindamente.

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D4 – 17 JAN (HASSI BEL GEBBUR a ILLIZI: 709 KMS)

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Pode parecer repetitivo, mas acordámos ainda mais cedo do que o já habitual e partimos para a única bomba de gasóleo antes de abrir. Investigámos os pequenos e rudimentares cafés de beira da estrada e um mais bem composto mini-mercardo e aguardámos a nossa vez. Como Os Toyota têm o bocal de abastecimento do lado esquerdo e os Land Rover do lado direito, havia viaturas à espera nos dois sentidos. Quando chegou a minha vez, um argelino intrometeu-se à frente, mas o funcionário da bomba refilou energicamente com ele e obrigou-o a recuar.  Obrigado. Depois de todos abastecermos, iniciámos o trajecto sem escolta, voltámos a ter escolta e deixámos de ter escolta no local onde começa a fantástica descida para um enorme planalto. Era caso para nos perguntarmos se a preocupação com a nossa segurança passou a ser intermitente… ou a escolta tinha a missão não declarada de controlar os nossos passos e já não era necessária pois não havia trajectos alternativos? Enfim, continuámos até ao cruzamento da N3 com a RN53 e, contrariamente ao que razoavelmente supúnhamos, enviaram-nos por uma estrada nova em direcção à Líbia!

Sem Título

Ao cruzar a estrada Alrar # In Amenas, seguimos em frente, isto, apesar do sinal de estrada sem saída. Muitos de nós estranhámos, e um certo temor apoderou-se de alguns expedicionários. O telefone com cartão argelino tocava e perguntavam porque estávamos tão excessiva e desnecessariamente perto da perigosa fronteira com a Líbia… No final da estrada, havia mais uma base militar, com vários veículos blindados ligeiros e autometralhadoras. Quando se aperceberam da nossa presença (obviamente, não esperada) os militares entraram em alerta, correram para os postos de combate e apontaram armas à caravana. Não sabendo o que se estava a passar, aproximaram-se mais alguns expedicionários, perguntando-me porquê de tal situação, cuja resposta, obviamente, eu também não sabia. O nosso guia aproximou-se da porta de armas, conferenciou com um oficial (escoltado por militares) e tivemos de retroceder como se vê no mapa supra, seguindo mais para sul, junto à fronteira. A prova de que houve descoordenação é que, poucos minutos depois, parámos para almoçar e fomos “visitados” com alguma agressividade inicial pela gendarmerie, que nos pediu as autorizações para ali estarmos, supondo que éramos trabalhadores das refinarias…  Nas fotos, atrás do Parola, fica a Líbia…

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Esclarecido o assunto entre o nosso guia e os gendarmes, seguimos por uma estrada com alguns pontos de interesse, entre os quais uma fenomenal descida para um planalto a perder de vista, que apenas tenho registado em filme. De resto, foram quilómetros e quilómetros de estrada ladeada por inúmeros gasodutos até In Amenas e Illizi. Aqui chegados, andámos às voltas para encontrar uma loja ou oficina que tivesse umas peças necessárias para outra viatura e apanhámos um “seca” monumental no posto local da polícia, que deu instruções ao guia para acamparmos numa zona de dunetes à saída da cidade. Foi o primeiro bom bivouac, em círculo, aparentemente, com vigilância a uma distância que não importunava.

D5 – 18 JAN (ILLIZI a DJANET: 400 KMS)

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A noite foi calma e o acordar bem disposto, já “cheirávamos” Djanet… Todavia, sabíamos que os 400 quilómetros até lá seriam os menos rolantes, pois desenrolar-se-iam em estrada de montanha. A escolta apareceu à hora marcada e acompanhou-nos até à substituição. Pela minha parte, esta etapa foi a melhor até então, a variedade da paisagem não era deslumbrante, mas também não tinha nada de monótona, pelo contrário. Quando chegámos a Bordj El Haouas houve um stress com o comandante local, que reteve os nossos passaportes até chegarmos a Djanet, onde fomos muito bem recebidos. Logo de seguida, bazámos para o hotel, fosse para o primeiro banho desde Tiaret, fosse para reparações ou, simplesmente, apreciar o magnífico pôr-do-sol que emoldurou a nossa chegada. O dia seguinte, seria o primeiro da nossa aventura e todos ansiávamos por ela… O vídeo desta etapa de 5 dias, deverá ser publicado brevemente e actualizarei aqui o respectivo link.

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ARGÉLIA # ALGERIE 2018: TASSILI N’AJJER (EP.1)
10/02/2018, 00:16
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Há cerca de 7 anos, um grupo de amigos começou a “sonhar” com a possibilidade de realizar uma expedição ao Sahara argelino. As questões ligadas à segurança e às dificuldades inerentes à preparação de uma tal aventura (a Argélia é o maior país africano, com uma área de 2.381.741 km2, cerca de 4,4 vezes a área da França), foram adiando o esboço do projecto. Em 2014 e finais de 2016, a ideia foi retomada e, aquilo que antes parecia utópico, começou a ganhar forma.

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Com efeito, por via da actividade profissional, um dos elementos desloca-se frequentemente à Argélia, circunstância que em muito impulsionou a concretização do sonho e foi determinante para o sucesso da Expedição 2018 ao Parque Nacional do Tassili n’Ajjer – a zona escolhida para esta incursão.

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Com mais de 80.000 km2, o PN está situado no sudeste da Argélia, junto das fronteiras com a Líbia, Niger e Mali, e foi considerado pela Unesco como um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo (incluído em 1982 na lista dos locais Património da Humanidade) pois tem uma vastíssima herança de arte rupestre pré-histórica de mais de 15.000 gravuras pintadas e/ou esculpidas nas rochas de arenito.

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Como não há bela sem senão e rosa sem espinhos, a expedição teve numerosos obstáculos, felizmente, ultrapassados com a entreajuda possível: uma viatura e todos os rádios de comunicações apreendidos logo à entrada e durante as 3 semanas da expedição; várias viaturas com problemas mecânicos e um capotamento completo em pleno Sahara (onde só podíamos contar connosco e com os telefones satélite); sucessivos temporais no Mediterrâneo, que impediram o regresso na data prevista e obrigaram a mudar o porto de regresso e a nacionalidade do Ferry…

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Enfim, um conjunto de contrariedades, todas superadas, e de sensações inesquecíveis, que procurarei relatar nos próximos artigos.

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No que respeita à região do Tassili n’Ajjer, é um fabuloso planalto de aspecto lunar, rodeado de areia por todo o lado: a Este, o mar de areia Líbio; a Sul, o imenso Ténéré e o Erg d’Admer; a Norte, o Erg Isouane e o Erg Bourhanet. Situado a cerca de 600 kms de Tamanrasset, tem um enormes 120.000 km2, ou seja, cerca de 750 Kms de Norte a Sul e 60 a 100 km de Este a Oeste; a altura máxima é de 1.500 metros.

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A pérola desta vasta região é Djanet, nosso ponto de partida, abastecimento e retorno. Localizada num vale de aluvião, entre um extenso oásis e uma falésia que a protege dos fortes ventos que assolam a região frequentemente. Tem um clima temperado no Inverno e canicular no Verão.

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De momento, acrescento apenas que, no meu caso, percorremos 7.080 kms (dos quais, cerca de 800 pelas dunas e pistas do Tassili), com uma média geral de consumo de 12,6 litros/100 kms, e com o litro do gasóleo argelino a cerca de 0,14 €  em todo o país.

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Nos próximos artigos e filmes do YouTube, procurarei documentar os aspectos mais significativos desta expedição.

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