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PARATY – BRASIL
06/02/2011, 20:37
Filed under: Brasil, Brasil, Os meus locais preferidos | Etiquetas: , ,

Os acasos têm destas coisas: há muito que não conseguia algum tempinho para escrevinhar por aqui mas, um destes dias, recebi um enigmático e-mail com referências a Paraty e, aproveitando a deixa, decidi rabiscar alguma informação e colocar uns bonecos sobre um local de que tanto gosto.

Paraty, ou Paratii, é a “cidade que se oferece a todos”. Segundo as lendas, é o seu próprio nome que o diz de forma inequívoca: “Quando o Senhor começou a distribuir terras pelo mundo, Pedro d’Ele se acercou reclamando o seu quinhão. Ao que o Senhor terá retorquido: aquilo é para ti!” Outros, talvez menos devotos, afirmam que foi ao diabo que Deus entregou a terra, daí a fama das suas aguardentes – as parati.
Para mim, Paraty é um óptimo local para descontrair, navegando pela ampla baía em busca de uma ilha mais isolada ou de um recanto inacessível por terra; percorrendo as estradas secundárias e/ou o Caminho Real em busca de fabulosas cachoeiras e luxuriante vegetação; calcorreando os muitos trilhos, com diversos graus de dificuldade, em busca dos nossos limites ou de um cantinho especial; “saboreando” as belas praias de águas tépidas e tranquilas ou, ao invés, vivendo intensamente a noite e as muitas festas que a animam ao longo do ano.
Para quem não saiba, a zona histórica de Paraty é um muito bem preservado pedaço deste nosso Portugal de antanho. Independentemente de querelas históricas sobre a data da fundação da cidade, creio poder afirmar-se que no início do séc. XVII já existia um núcleo populacional estável, que rapidamente se desenvolveu devido à sua posição estratégica, no final da baía da Ilha Grande. Em finais do séc. XVII, com a descoberta do ouro e diamantes em Minas Gerais, essa localização ganhou ainda mais importância pois permitiu transportar por terra para o porto de águas calmas da baía de Paraty os metais preciosos que as naus portuguesas ali iam buscar.
Os engenheiros militares portugueses planearam o desenvolvimento do hoje chamado centro histórico de Paraty, seguindo o padrão das cidades portuguesas, aproveitando da melhor forma o espaço disponível para construção e usaram nessa construção as pedras que, na viagem de Portugal para o Brasil, serviam de lastro às naus que regressavam à pátria “lastradas” com os metais preciosos que ali iam buscar.
Devido às epidemias de cólera e febre-amarela que ocorriam frequentemente no Brasil, houve uma grande preocupação com a salubridade, pelo que as ruas foram projectadas com uma ligeira curvatura de modo a atenuar o “vento encanado” (considerado  um transmissor de doenças) e construídas um pouco acima do nível das águas da baía, de modo a que na preia-mar das marés-vivas (lua cheia e lua nova) fossem lavadas.
Para tal, em frente a cada casa há um passeio com aproximadamente um metro, normalmente formado por grandes pedras rectangulares colocadas perpendicularmente às paredes das casas e as ruas possuem uma depressão central, de forma a escoar água da chuva e permitir a referida subida das águas das marés-vivas. A entrada da água do mar pelas ruas era uma forma natural de manter a cidade limpa e ainda hoje se realiza ciclicamente. Junto algumas fotos de Paraty, da baía e algumas das ilhas, do Caminho Real e suas cachoeiras e das fabulosas praias de Trindade, próximas, mas já no estado de São Paulo.

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1 Comentário so far
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Boas.
Fotos de sonho.
Inté

Comentar por Parola Gonçalves




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