100azimutes


TIBETE – GYANTSE DZONG E PELKOR CHODE
31/07/2009, 16:01
Filed under: Tibete - o Tecto do Mundo | Etiquetas: , , ,

 

De Lhasa a Gyantse

De Lhasa a Gyantse

Provenientes de Lhasa, chegámos a Gyantse a meio da tarde. Como já referido, as condições meteorológicas tinham melhorado mas estavam longe de ser famosas. Depois de uma horita de descanso, calçámos as botas, vestimos os blusões técnicos e decidimos ir fazer o reconhecimento da cidade e espreitar a oportunidade de obter alguns bonecos com o sol do fim de tarde. Um pouco frustrados pela circunstância de só termos tido visibilidade sobre Gyantse já muito próximo (a aproximação pela pista que desce a montanha foi realizada debaixo de forte nevoeiro) fizemos as primeiras centenas de metros abrigados do vento e protegidos pelas casas da principal rua da cidade – um autêntico “boulevard” fervilhando de actividade comercial, característica de uma cidade que funciona(va) como entreposto das várias rotas de abastecimento do Tibete e é a terceira mais importante do país (alt. 3.977 m e 8.000 habitantes aquando da ocupação chinesa).

Gyantse Kumbum - imagem da internet

Gyantse Kumbum - imagem da internet

Os poucos raios solares que rasgavam as pesadas nuvens davam-lhe uma luminosidade de nostálgicos tons pastel. No final da rua, ao virarmos à esquerda, ficámos imediatamente fascinados pela magnificência do castelo de Gyantse Dzong e fomos subindo até à entrada do  Pelkor Chode . Entretanto, a luminosidade diminuiu muito rapidamente e procurei um local que me permitisse perceber o motivo. A menos de 500 metros aproximava-se rapidamente um sistema de baixas pressões com muito mau aspecto. No passo mais rápido que conseguimos, dirigimo-nos para o primeiro abrigo que encontrámos, sem conseguirmos evitar ser empurrados por uma força descomunal que projectava violentos “dardos” de neve na horizontal. Num ápice, as ruas ficaram desertas, as portas e janelas foram encerradas e ficámos cerca de uma hora comprimidos num pequeníssimo espaço, tentando manter-nos quentes e protegidos dos ventos que levantavam painéis de madeira, projectavam objectos a grandes distâncias e fustigavam a cidade com um nevão como nunca tinha visto. Durante aquela hora, percebi pela primeira vez a impossibilidade de salvamentos perante condições tão adversas a maiores altitudes. Quando a tormenta amainou, fomos caminhando com muito cuidado (devido ao gelo que se formou imediatamente) de portada em portada e abrigo improvisado em abrigo improvisado, até ao relativo conforto do hotel – foi uma experiência imprevista e inesquecível. No dia seguinte, parecia estarmos numa cidade diferente e percebemos que não deveríamos subir ao Gyantse Dzong devido à ainda muita neve/gelo e à grande probabilidade de partirmos uma perna ou algo mais. assim, visitámos com cuidado o Pelkor Chode , realizámos alguns bonecos e rumámos a Shigatse.

Pelkor Chode: Rodeado por uma muralha avermelhada, era um centro de conhecimento pluridisciplinar composto por 15 mosteiros (fundado em 1418) agregando três diferentes ordens do Budismo tibetano: 9 da corrente Gelupka, 3 da Sakyapa e 3 da sub-ordem do Butão cujo principal centro era o mosteiro de Shalu, próximo de Shigatse. O Gyantse Dzong é um magnifico castelo que se notabilizou pela resistência de algumas centenas de monges tibetanos ao exército inglês em 1904 (que o destruiu quase totalmente com projécteis de artilharia).

Anúncios

Deixe um Comentário so far
Deixe um comentário



Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s



%d bloggers like this: