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ARGÉLIA # ALGERIE 2018: TASSILI N’AJJER (EP.1)
10/02/2018, 00:16
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Há cerca de 7 anos, um grupo de amigos começou a “sonhar” com a possibilidade de realizar uma expedição ao Sahara argelino. As questões ligadas à segurança e às dificuldades inerentes à preparação de uma tal aventura (a Argélia é o maior país africano, com uma área de 2.381.741 km2, cerca de 4,4 vezes a área da França), foram adiando o esboço do projecto. Em 2014 e finais de 2016, a ideia foi retomada e, aquilo que antes parecia utópico, começou a ganhar forma.

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Com efeito, por via da actividade profissional, um dos elementos desloca-se frequentemente à Argélia, circunstância que em muito impulsionou a concretização do sonho e foi determinante para o sucesso da Expedição 2018 ao Parque Nacional do Tassili n’Ajjer – a zona escolhida para esta incursão.

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Com mais de 80.000 km2, o PN está situado no sudeste da Argélia, junto das fronteiras com a Líbia, Niger e Mali, e foi considerado pela Unesco como um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo (incluído em 1982 na lista dos locais Património da Humanidade) pois tem uma vastíssima herança de arte rupestre pré-histórica de mais de 15.000 gravuras pintadas e/ou esculpidas nas rochas de arenito.

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Como não há bela sem senão e rosa sem espinhos, a expedição teve numerosos obstáculos, felizmente, ultrapassados com a entreajuda possível: uma viatura e todos os rádios de comunicações apreendidos logo à entrada e durante as 3 semanas da expedição; várias viaturas com problemas mecânicos e um capotamento completo em pleno Sahara (onde só podíamos contar connosco e com os telefones satélite); sucessivos temporais no Mediterrâneo, que impediram o regresso na data prevista e obrigaram a mudar o porto de regresso e a nacionalidade do Ferry…

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Enfim, um conjunto de contrariedades, todas superadas, e de sensações inesquecíveis, que procurarei relatar nos próximos artigos.

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No que respeita à região do Tassili n’Ajjer, é um fabuloso planalto de aspecto lunar, rodeado de areia por todo o lado: a Este, o mar de areia Líbio; a Sul, o imenso Ténéré e o Erg d’Admer; a Norte, o Erg Isouane e o Erg Bourhanet. Situado a cerca de 600 kms de Tamanrasset, tem um enormes 120.000 km2, ou seja, cerca de 750 Kms de Norte a Sul e 60 a 100 km de Este a Oeste; a altura máxima é de 1.500 metros.

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A pérola desta vasta região é Djanet, nosso ponto de partida, abastecimento e retorno. Localizada num vale de aluvião, entre um extenso oásis e uma falésia que a protege dos fortes ventos que assolam a região frequentemente. Tem um clima temperado no Inverno e canicular no Verão.

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De momento, acrescento apenas que, no meu caso, percorremos 7.080 kms (dos quais, cerca de 800 pelas dunas e pistas do Tassili), com uma média geral de consumo de 12,6 litros/100 kms, e com o litro do gasóleo argelino a cerca de 0,14 €  em todo o país.

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Nos próximos artigos e filmes do YouTube, procurarei documentar os aspectos mais significativos desta expedição.

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VOR 2017-2018 # Lisbon Leg Start from the air!

Mais uma vez, estamos a acompanhar a Volvo Ocean Race tão próximo quanto possível, seja na aplicação, seja enquanto estiveram em Lisboa. As fotos são mais que muitas. Enquanto não faço a “escolha da amendoa” deixo-vos um dos vídeos de hoje, a sudoeste do Cabo Espichel, rumo à Cidade do Cabo.

Se uma imgame vale por mil palavras, este vídeo vale por muitas mais.



ALPES 2017: L’OTTAVA MERAVIGLIA DEL MONDO

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O Skyway Monte Bianco, com (i)modéstia chamado pelos italianos como a Oitava Maravilha do Mundo, é um complexo turístico sobre o maciço do Monte Branco, situado em Courmayeur, no Vale de Aosta, e tem como principal atracção um teleférico com modernas cabines que vão rodando 360º e nos permitem visualizar paisagens deslumbrantes enquanto percorremos a ascensão/descida de 15 minutos, dos 1300 até aos 3500 metros de altitude. Dispões de três estações (a intermédia, é o Pavillon do Mont-Frety, a 2170 m), com bares, restaurantes, lojas e lounges com enormes “janelas” de vidro, que proporcionam fabulosas vistas sobre o Vale de Aosta e as montanhas circundantes, com toda a tranquilidade e algum requinte, estando preparadas para resistir a ventos superiores a 200 km/h. Chegados ao topo, o pico Helbronner, a 3.466 metros, subimos os degraus de uma estrutura metálica que nos dá acesso ao “ninho das águias”, um terraço metálico (nada favorável para filmagens com tripé, pois oscila ligeiramente com o movimento dos turistas) com vistas ditas deslumbrantes sobre os picos Cervino, Monte Rosa, Gran Paradiso e toda a paisagem envolvente – que infelizmente e devido ao tecto de nuvens, só por breves minutos conseguimos vislumbrar. Contrariamente ao teleférico da Aiguille du Midi, o complexo dispõe de trilhos onde podem circular viaturas de socorro que chegam às cabines do teleférico em caso de necessidade (do lado francês, houve incidentes em que centenas de turistas tiveram de ser resgatados de helicóptero e muitos tiveram de passar as noites com mantas fornecidas por socorristas, pois, devido às condições atmosféricas, não foi possível resgatá-los). Como já referido, tentámos aproveitar uma pequena janela de oportunidade, pois que sabíamos que a meteorologia estava a piorar, com nuvens muito baixas; infelizmente, soube a muito pouco.

 

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ROTA SOLIDÁRIA, DA CONFIANÇA E AFECTOS

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Respondendo a vários apelos institucionais e particulares da região afectada pelo vulgarmente chamado “Incêndio de Pedrógão”, a Land Lousã delineou uma pequena rota 4×4, a realizar entre 15 e 16 de Julho, desde o Alto Padrão (na Lousã) até Pedrogão Grande, com paragem obrigatória na praia fluvial do Poço da Corga, almoço no quartel dos BV de Castanheira de Pera, prosseguindo em direcção à praia fluvial do Mosteiro, albufeira do Cabril e Parque de Campismo de Pedrógão Grande. Na véspera de se completarem 30 dias sobre os dantescos incêndios que assolaram a zona, vitimando inúmeras famílias e afastando quase inexoravelmente o turismo (o que penaliza duplamente as populações), o principal objectivo era mostrar que, não obstante a tragédia, é imperioso não “fugir” da região e apoiar o comércio e instituições locais, pois têm muito para oferecer.
Pela nossa parte, dissemos presente assim que recebemos o convite.
Deixo-vos um pequeno filme que procura registar os momentos mais significativos, abstendo-me de toda e qualquer imagem (casas e/ou viaturas queimadas) que possam reabrir feridas ainda não saradas de quem terá passado por tão dramáticas situações e possa espreitar o vídeo.



ALPES 2017: TÚNEL MONTE BRANCO E VALE FERRET
09/07/2017, 22:29
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O túnel do Monte Branco, de trânsito bi-direccional, foi inaugurado em 1965 e tem uma extensão de 11,6 km. A sua entrada em exploração permitiu encurtar substancialmente a distância entre Chamonix (França) e Courmayeur (Itália) passando sob a vertical da Aiguille du Midi. É uma via com portagens caras e que obriga a alguma atenção, pois tem um tráfego constante de veículos pesados, sem grandes escapatórias. Em 1999 houve um grande sinistro, com incêndio de dezenas de viaturas e o falecimento de 39 pessoas que se refugiaram nas zonas de segurança, mas vieram a sucumbir devido à inalação de monóxido de carbono. Fomos controlados pelos Gendarmes franceses antes de chegarmos às portagens, e pelos Carabinieri italianos quando saímos do túnel, antes de chegarmos a Courmayeur. Um dos nossos objectivos para este dia era visitar calmamente o Vale Ferret, pernoitando precisamente em Courmayeur. Este vale, perpendicular ao vale de Aosta, é um pequeno pedaço de paraíso na terra, um vale que nos deixa encantados com a sua serena beleza. Na realidade, há dois vales: um, do lado suíço e este, do lado italiano, o que visitámos. Embora não muito extenso, começa no Col Ferret e é transitável por uma sinuosa estrada de montanha, permanentemente ladeada pelo igualmente tortuoso rio Dora Ferret. Sem a grandiosidade do vale de Aosta ou de alguns outros vales do PN Gran Paradiso (que também visitámos), e até com alguma parcimónia nas infra-estruturas turísticas existentes, é um verdadeiro paraíso para fazer caminhadas acessíveis a toda a família, circular de bicicleta ou, simplesmente, contemplar a magnifica natureza envolvente.

Ficam algumas fotos do Vale Ferret e um filme no YouTube, também com o Túnel do Monte Branco.



ALPES 2017: MONTENVERS E MER DE GLACE
15/06/2017, 21:34
Filed under: FRANÇA | Etiquetas: , , ,

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Regressados da Aiguille du Midi a Chamonix, percorremos os cerca de 500/600 metros até à Estação do comboio de Montenveres, a partir da qual, numa ascensão de pouco mais de 5 Kms, com um desnível de cerca de 1000 metros e um ângulo de subida/descida entre os 11 e os 22%, o pequeno comboio de bitola métrica e cremalheira liga, em sistema de via única com alguns pontos de cruzamento, a estação de Chamonix a Montenvers, a 1913 m de altitude. Aqui chegados, já no Maciço do Monte Branco, temos uma vista magnífica sobre La Mer de Glace, ou seja, “o mar de gelo” – o maior glaciar existente em França, com cerca de 7 kms de comprimento e 200 metros de largura.

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Infelizmente, o restaurante, o glaciarium e o abrigo de montanha ainda estavam em manutenção, pelo que apanhámos o teleférico que nos transportou até ao sistema de rampas e degraus que permitem o acesso ao glaciar.

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Todavia, como chegámos relativamente tarde, ficou “apertado” descer à “gruta”, escavada artificialmente todos os anos nas entranhas do glaciar, pois teríamos de correr para conseguir regressar a Chamonix no último comboio – ficou para uma próxima visita.

Ficam mais algumas fotos e o filme no YouTube.

 

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ALPES 2017: AIGUILLE DU MIDI

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A viagem no teleférico desde o centro de Chamonix até ao cume foi realizada em duas etapas, sendo que a primeira subiu até ao chamado de Plan de l’Aiguille, situado a 2.310 metros. Daqui, podemos observar o Glaciar des Bossons, o Mont-Blanc, a l’Aiguille Vert, as Aiguiles de Chamonix e o Drus.

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Dali, partimos para o segundo troço, que nos levou directamente aos 3.777 metros dos terraços panorâmicos da Aiguille du Midi, (sem apoios intermédios, num dos maiores vãos do mundo) onde temos uma primeira e inolvidável vista de 360º sobre os Alpes franceses, italianos e suiços.

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Após esse primeiro deslumbramento (se estiver bom tempo, como foi o nosso caso), deslocámo-nos para o ascensor que nos transportou até ao topo da Aiguille, situado a 3.842 m, de onde pudemos desfrutar de todo o esplendor do maciço do Monte Branco.

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No total, vencemos um desnível de 2.742 metros em cerca de 22 minutos. No segundo troço, o teleférico pode atingir uma velocidade de 45 km/h, sendo que, no seu conjunto, o tem uma capacidade máxima de transporte de 500 passageiros por hora. Para além de vários outros motivos de interesse, uma das recentes atracções do complexo é “Le pas dans le vide”, ou seja, o passo no vazio – uma caixa de vidro reforçado que permite que uma pessoa de cada vez ali entre alguns segundos e, olhando para baixo, usufrua da sensação de nada ter debaixo de si por mais de 1000 metros. Pela nossa parte, dispensámos essa parte, devido à enorme fila para tão breve experiência. Bem mais terreno, mas não menos espectacular (pelo menos, com a muitíssima neve que pudemos testemunhar) é a passagem que, partindo de um dos terraços, dá acesso ao mítico trilho do Mont-Blanc pelas três montanhas. Aliás, para quem queira conhecer as estórias dos aventureiros que por ali têm “deambulado” ao longo dos muitos anos, nada melhor que visitar o museu L’Espace Vertical, segundo consta, o mais alto do mundo dedicado ao alpinismo. Como não podia deixar de ser, o complexo da Aiguille tem um enorme espaço de restauração, com terraços com vista privilegiada para as montanhas, lojas de recordações e uma muito generosa e bem pensada área de descanso, com enormes janelas que permitem a contemplação dos maciços envolventes. Por último, existe a possibilidade (apenas no Verão) de se fazer em teleférico a viagem pelo Glaciar do Gigante, desde a Aiguille até ao cume do Helbronner, já em Itália. Os -12º C que se faziam sentir mais incisivamente quando não estávamos abrigados do vento, explicam o porquê de só a partir de Junho se poder fazer essa viagem. Do nosso lado, tínhamos planeado e fizemos o trajecto pelo Túnel do Monte Branco até Courmayeur, onde apanhámos aquilo que os italianos (i)modestamente chamam de 8ª maravilha do mundo. Só que, antes disso, ainda viajámos no velhinho comboio de Montenvers até ao Mer de Glace – relato que fica para o próximo artigo.