100azimutes


ARGÉLIA # ALGÉRIE 2018: TADRART BIVOUAC 4 A 5 (Ep 7)
17/06/2018, 20:54
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Neste dia 23 de Janeiro acordei bem cedo – só os guias já estavam a preparar o cerimonial do chá. Aproveitei para fazer umas fotos ao nascer do sol e ao acampamento. Quando estava na crista da duna, surgiu o Parola que nem me viu. Os acontecimentos da véspera tocaram de perto os expedicionários e, aos poucos, todos foram acordando sem grandes motivos de conversa para o pequeno-almoço. Esperava-nos uma etapa longa, a condizer com a prevista travessia do Erg Admer onde consta que se ouve a “Canção do Silêncio”. Confesso que pouco retive das gravuras visitadas neste dia (estava francamente chateado e esqueci-me de registar os wp de parte delas). Ficaram as fotos, algumas das quais publico neste artigo e os vídeos (sempre com deficiente qualidade por terem sido gravados em NTSC). Ao final da tarde fomos controlados pelos militares, à saída do Tadrart. Fizemos alguns quilómetros em asfalto e voltámos a entrar em pista, na direcção do quinto bivouac da expedição, junto a Wadi Tarnassout. Foi um trajecto algo desagradável pois o vento chegava pelas 0500 das viaturas e era preciso rolar mais depressa do que ele, o que raramente era possível. Chegados ao segundo local de acampamento escolhido pelos guias, tratei de colocar a Hilux protegida dos caprichos de Éolo, de modo a podermos preparar o jantar abrigados e descansar. Pela minha parte, dormi tranquilamente na James Baroud. Todavia, houve quem ficasse praticamente sem tenda durante a noite, tal a fúria do deus grego para connosco…

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ARGÉLIA # ALGÉRIE 2018: TADRAT BIVOUAC 3 a 4 (Ep 6)
10/06/2018, 21:07
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Este dia 22 de Janeiro era bastante desejado, todos ambicionávamos chegar às dunas de Tin Merzouga. Já não havia viaturas com problemas, as paisagens eram cada dia mais deslumbrantes, mas alguns expedicionários começavam a manifestar alguma insatisfação pelas sucessivas paragens para apreciar a arte rupestre e, de vez em quando, afastavam-se do grupo e exploravam as dunas envolventes. Uma falsa e perigosa sensação de que as dunas já não tinham segredos fez-me comentar com o Brito temer que pudesse surgir um acidente… Embora todos soubéssemos ou devêssemos saber ao que íamos, julgo que procurando “satisfazer os insatisfeitos” passámos sem parar por outros sítios de interesse arqueológico e avançámos mais “a direito” tendo decidido parar ainda cedo para almoço. Essa paragem permitiu a todos explorar as grandes dunas envolventes e saborear a refeição calmamente na base. Na fotografia infra, o minúsculo ponto assinalado ao fundo é o local de almoço onde ficaram os guias (N 24 16.910 E 11 04.016).

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Todavia, essa opção e o tempo disponível fizeram com que alguns dos “insatisfeitos” se aventurassem para lá do razoável, ou seja, para fora do alcance visual dos demais impossibilitando detetar algum acidente ou avaria e prestar o necessário auxílio… Não obstante, a majestosidade das dunas, a beleza e o silêncio envolvente, apenas levemente perturbado pelo crocitar dos corvos e pela balada tocada pelo vento, proporcionou a todos um ambiente descontraído e revigorante para o período da tarde. Retomado o percurso e cerca de duas horas depois, sempre rodeados por paisagens e dunas deslumbrantes, que alguns subiam em alta velocidade e desciam em direcção à caravana, sempre em linha de vista (como mandam as boas regras para estas circunstâncias), decidimos parar num pequeno planalto rodeado de imensas dunas que estavam destinadas a proporcionar o melhor e o pior da etapa. Todos ou quase todos, subimos e descemos vezes sem conta e nas mais variadas direções aquele conjunto de dunas, obtendo um gozo pessoal completamente indescritível e em perfeita segurança. Só que o imprevisto acontece e, devido a um pequeno problema numa das viaturas, que levou cerca de uma hora a resolver, alguns expedicionários decidiram aventurar-se para “fora de pé”… Após a reparação e quando nos preparávamos para partir, um dos expedicionários veio ter comigo e com o Brito dizendo que iam para uma crista do outro lado da duna, onde já estavam outros companheiros, e de onde se tinha uma paisagem magnífica e podíamos obter fotos fantásticas. Retorqui que isso podia ser perigoso e que se via perfeitamente que os guias e algumas viaturas já estavam em marcha na base da duna, pelo que me ia juntar à caravana e o que iam fazer contrariava o que estava combinado, ou seja, andarmos sempre em linha de vista. Dito isto, partiram para o outro lado e eu desci para me juntar à caravana. Quando lá cheguei, informei o sucedido e, por cautela, decidimos ficar à espera deles pois podia ser perigoso. Passadas algumas dezenas de minutos, vimos uma viatura descer a grande duna fazendo sinais de luzes e percebemos que algo estava errado. Infelizmente, aconteceu o que receava. Uma viatura capotou ficando bastante danificada, e um dos ocupantes bastante maltratado. Coisas do destino ou mera coincidência, o expedicionário acidentado foi quem me desafiou a ir para o “outro lado”. Felizmente, podia ter sido bem pior e de consequências trágicas mas a entreajuda de todos permitiu “safar” a situação.. Dá que pensar e foi/é um alerta para que ninguém facilite nos temas de segurança em locais inóspitos e sem hipótese de auxílio…

WIKILOC

 

 



ARGÉLIA # ARGÉLIE 2018: TADRAT BIVOUAC 2 a 3 (Ep 5)

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EP 5 DIA 21

Pode parecer monótono, mas, para não variar, a alvorada voltou a ser bem cedo. Pequeno-almoço tomado e acampamento desmontado, partimos para mais uma etapa, em ritmo bastante lento, devido aos problemas na suspensão da viatura dos guias. Após a visita a um magnífico Guelta seco situado a poucas centenas de metros de onde pernoitámos. A “coisa” tornou-se mais crítica devido a alguma dureza de partes significativas da pista, que alternava pedra e areia. Talvez devido à reduzida velocidade a que circulávamos, aumentaram as incursões de alguns participantes em pistas aparentemente paralelas, mas que nem sempre conduziam a um ponto de intersecção. A riqueza arqueológica do Tadrart e as sucessivas paragens para observarmos os inúmeros locais deste santuário que a UNESCO classificou como Património Mundial iam permitindo o reagrupar de quem se aventurava por outros caminhos. Este reagrupamento era mais duradouro nos pontos fulcrais da etapa, fossem as formações rochosas, alguns dos vestígios pré-históricos, ou os ex-libris do relevo, como a fabulosa descida da grande duna de Moul N’Aga (uma brutal descida de cerca de 50 metros na vertical, que nenhuma foto ou filme consegue mostrar – gráfico e foto infra).

Moul N'Aga

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Aqui, cumpre referir que, pela primeira vez, nos cruzámos com alguns turistas em viaturas 4×4 conduzidas em ritmo acelerado por guias argelinos. Perante tantos vestígios arqueológicos e tamanha beleza paisagística, o que me “encheu mesmo as medidas” foi a descida da grande duna de Moul N’Aga. A subida, realizada por barlavento, não sendo difícil, proporcionou alguns atascansos ligeiros. No que respeita à arrepiante descida, só vos digo que houve quem se recusasse a conduzir a viatura e tenha passado o volante ao pendura. Curiosamente, o guia que conduzia o Toy alugado pelo Sérgio, ficou longos minutos preso na crista, provavelmente fruto de alguma hesitação entre a velocidade de chegada ao topo e a travagem/levantar do pé que eram necessários para evitar descer às cambalhotas. Por último, duas inevitabilidades: a primeira, algum stress resultante de uma perda de vista do “grupo paralelo”, onde foi notório algum desnorte momentâneo; a segunda, um serão muito trabalhoso para quem se ocupou da árdua tarefa de substituir as destruídas suspensões da viatura do guia pelas novas, que entretanto foram trazidas até ao acampamento. No Wikiloc está o trajecto e os POI dos principais motivos de interesse visitados. O vídeo será publicado brevemente.



ARGÉLIA # ARGÉLIE 2018: TADRART # FILME DO EP 4
26/03/2018, 22:36
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Boas, como prometido, clicando infra, podem aceder ao filme do artigo 4 da Expedição Argélia 2018. Espero que gostem.

 



ARGÉLIA # ALGÉRIE 2018: BIVOUAC 1 a 2 (EP 4)
18/03/2018, 19:27
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O acordar deste dia 20 de Janeiro, segundo dia no Tadrart, voltou a ser madrugador, a saída estava programada para as 0800 e foi por volta dessa hora que partimos, com legítimas expectativas sobre o que nos reservaria esta etapa. Como, contrariamente ao que havia sido combinado, apenas uma viatura levou “carburante” para aquecer as noites geladas do deserto, teríamos que arranjar lenha seca que nos pudesse aquecer. Assim, os nossos guias começaram bem cedo a mostrar o conhecimento que tinham da zona, principalmente, se tivermos em consideração que há 10 anos não lideravam nenhuma caravana por aquela zona. De caminho, levaram-nos a um planalto onde uma árvore completamente seca colocou à prova quer a habilidade para a derrubar, quer a energia e empenho para a cortar e fizeram outra incursão num canyon sem saída para recolher lenha que chegasse para as restantes noites de deserto. Pelo meio, mais alguns atascos nas dunas bem como as primeiras brincadeiras mais a sério. Não recordo bem, mas penso que foi por essa altura que percebemos que a viatura dos guias tinha partido um amortecedor. Como tinha levado dois amortecedores de reserva (frente e traseiro), informei que emprestava o conjunto amortecedor/mola adequado. Talvez para não atrasar a caravana, os guias optaram por continuar assim e fazer a substituição à noite. Essa opção veio a revelar-se errada pois, algumas horas depois, sucedeu o que era inevitável, cedeu o segundo amortecedor, obrigando a que o ritmo lento se tornasse ainda mais lento. Tal situação tornava inútil o empréstimo do meu amortecedor e imperioso conseguir dois amortecedores “coil over” novos. Aqui, se não fossem os dois telefones satélite que levámos, pedir ajuda obrigaria a que uma viatura transportasse o guia até um local com rede, o que poderia hipotecar um dia da viagem – um tema a rever pela agência. Tirando isso, fomos progredindo vagarosamente de núcleo em núcleo de gravuras e/ou pinturas rupestres. Desiludidos, alguns participantes começaram a afastar-se da caravana e, por vezes, a ficarem completamente “por sua conta”. Não seria assunto caso houvesse possibilidade de comunicação (rádio ou telefone satélite entre os dois grupos) mas isso não aconteceu e, mais uma vez, sucedeu o que previsivelmente, mais cedo ou mais tarde seria de esperar: o grupo perdeu contacto e houve umas dezenas de minutos de algum desconforto. Esta situação fez-me recordar uma expedição em que, no planalto de Rekkam, há muitos anos, sucedeu a mesma coisa e só reencontrei quem quebrou as regras estabelecidas no dia seguinte, cerca de 200 kms depois (Paulo Alves, se leres isto e quiseres opinar, opina). Dadas as circunstâncias, o ambiente estava algo tenso e, nestas paragens, o nervosismo nunca é bom conselheiro. Assim, e como a substituição dos dois conjuntos mola/amortecedor só ficou prevista para o final do dia seguinte, metemos azimute para um descanso mais cedo que o planeado. O serão acabou por ser agradável,  com tempo para convívio e tentar umas fotos à nossa galáxia  (clicando nas fotos podem ver em tamanho maior). O trajecto está no Wikiloc e o filme será publicado assim que possível. Espero que gostem.

 

 



ÁRGÉLIA # ARGÉLIE 2018: DJANET A BIVOUAC 1 (FILME)
11/03/2018, 23:24
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Boas, conforme prometido no Ep 3, deixo-vos o filme da etapa.

Espero que gostem.

 



ARGÉLIA # ALGERIA 2018: DJANET A BIVOUAC 1 (EP 3)
06/03/2018, 01:42
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D6 – 19/JAN (DJANET A BIVOUAC 1)

WIKILOC

Depois de um razoável jantar e uma noite muito bem passada no Hotel Tenere Village, chegou o momento por que mais ansiávamos: embrenharmo-nos nas ruelas e souk da Pérola do Sahara (Djanet), abastecermos os víveres, água e combustível necessários para os 7 dias seguintes, respirar fundo, e partir para o Tadrart, no PN do Tassili n’Ajjer.

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Correndo o risco de parecer pretensioso, nada do que li sobre o Tadrart faz justiça ao que fomos encontrar: um mar de paisagens fantásticas, com dunas de múltiplas tonalidades, formas e dimensões, que se estendem para lá da linha do horizonte; maciços de arenitos que fazem lembrar alguns cenários fantásticos de planetas imaginários da saga Star Wars; milhares de vestígios pré-históricos nos locais mais inacreditáveis; formações rochosas moldadas pela erosão do tempo e do vento durante milhares de anos, proporcionando contornos que se assemelham a gigantescas esculturas. Enfim, é um pouco desse espectacular percurso de cerca de 800 kms/7dias que procurarei timidamente transmitir neste e nos próximos artigos.

Como já referido, a manhã do dia 19 estava reservada para conhecer Djanet e efectuar todos os reabastecimentos indispensáveis ao total isolamento dos 7 dias no Tadrart, sem escolta ou interferência de vivalma.

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Iniciada a etapa pela estrada que conduz à Líbia e ao Níger, o nosso guia procurou uma acácia suficientemente grande para proporcionar alguma sombra durante o almoço, feito de kebabs e frangos assados, previamente adquiridos em Djanet.

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Reiniciada a etapa (geralmente, eu e o Brito fechávamos a caravana) o grupo dirigiu-se ansiosamente para o início das “hostilidades” proporcionadas pela entrada na areia do Sahara. Era tal a ansiedade que só nós e o Rui Rodrigues, no HDJ 100, parámos na placa que anunciava as duas únicas alternativas por estrada: Líbia ou Níger…

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Feitos os registos para a posteridade, reunimos pouco depois com o resto do grupo. Mais alguns quilómetros percorridos, entrámos numa pista relativamente rápida e consistente que, mal apareceu a primeira duna a vencer, deu origem aos primeiros atascados.

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Resolvidos os primeiros atascos (e cumprido o controlo militar à entrada do PN Tassili N’ Ajjer, com verificação das viaturas e seus ocupantes), os nossos guias levaram-nos, com um ou outro percalço, até ao primeiro local de bivouac, onde chegámos já na penumbra do final da tarde. A coisa começava a prometer. Foi a nossa primeira noite em total isolamento. Os mais ligeiros sons não identificados inspiravam algum receio – afinal, a Líbia parecia-nos demasiado perto e não tínhamos ninguém para nos socorrer…

O diaporama infra contém as fotos desta etapa e, brevemente, colocarei o vídeo.

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