Arquivado em: Tibete - o Tecto do Mundo | Tags: Everest, North Face Base Camp, Tibet, Tibete
Tibete – vocábulo mágico que evoca as mais altas montanhas do planeta, uma cultura distante e enigmática, pistas quase intransitáveis e carregadas de misticismo, mosteiros e palácios antiquíssimos e, para os mais atentos, as marcas da ocupação chinesa e da “resistência” dos tibetanos das montanhas.

Lago Yamdrok visto de Kamba-la Pass (4.800m)
A passagem por Kathmandu serviu para obter os necessários vistos e demais autorizações que nos possibilitaram voar para Lhasa e tentar realizar a expedição em 4×4 que nos permitiria percorrer o planalto tibetano (altitude média de 4.000 metros), conhecendo melhor uma cultura distante e algo desconhecida mas que me fascinava desde miúdo, quando lia as obras de Lobsang Rampa – o falso monge exilado, como viria a descobrir anos mais tarde.
O segundo objectivo consistia em tentar alcançar o North Face Everest Base Camp e seguir pela pista que o liga, a mais de 5.000 metros de altitude, a Lao Tingri, daí regressando a Kathmandu em 4×4 pela Kodari Border.
O Tibete é uma região recôndita, delimitada por 3 das maiores cordilheiras existentes na Terra: os Himalaias, o Kulun Shan e o Caracórum. Os tibetanos são um povo austero, pragmático, tenaz, religioso, com um ainda grande sentimento de independência, por vezes taciturno e até tímido, que habita uma vasta extensão de deserto gélido.
O primeiro rei tibetano foi um estrangeiro que alegadamente viajou da Índia e se instalou no vale de Yarlung. Conta a lenda que, quando lhe perguntaram de onde vinha e ele apontou para a Índia, os tibetanos terão interpretado que ele teria “descido dos céus”, pois, para lá de Yarlung estavam e estão os Himalaias, onde sobressai o Everest com os seus 8.848m de altitude.

Everest visto do North Face Base Camp
Como pensaram que ele “desceu dos céus”, acreditaram ser uma entidade divina e proclamaram-no rei.
Só com o seu 33º sucessor, Songtsen Gampo (620-650 d.C.), começou a haver história documentada do Tibete e foi introduzido o Budismo, quando a China e o Nepal enviaram princesas budistas para se tornarem mulheres de Songtsen e assim selarem as “alianças” diplomáticas da época. Até então, os tibetanos seguiam uma religião que procurou inicialmente reconciliar o lugar da humanidade nos céus e na terra mas que “evoluiu” rapidamente para um animismo que defendia a existência de espiritualidade nas árvores, montanhas, etc., denominada Bön.
Em próximo post escreverei um pouco mais sobre o Tibete, após o que me proponho fazer um resumo ilustrado da exepdição.
Inté.
2 Comentários até agora
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O Tibete é mesmo um lugar mágico, que nos transporta para uma outra dimensão espacial, longe das disputas políticas e territoriais. Mais do que a geografia distante e difícil de explorar, a fé dos tibetanos é marcante e mergulha-nos numa descoberta dos sentidos. Se, tal como eu, alcançaste um destino há muito sonhado, deves saber do que falo.
Comentário por flicts 01/07/2009 @ 00:22Parabéns pelos registos que li, vou continuar a acompanhar este blog com muito interesse. Obrigada pela tua visita e, para posts, mais actuais, visita o “andar de levante”.
Tenho amigos que defendem que o mundo é tão grande e há tanto para conhecer que não devemos ir duas vezes ao mesmo lugar. Por vezes, há quem alegue que não devemos voltar onde fomos felizes. Mesmo que seguisse algum desses “adágios” o Tibete levar-me-ia a desmenti-los…
Hoje fiz quase 800kms de estrada e, praticamente, ainda não parei.
Enquanto escrvia o novo post e procurava algumas fotos para o ilustrar, revivi algumas das “descobertas” a que te referes.
Sabes que mais? Como que por designíos insondáveis, o cansaço desapareceu
Daqui a pouco espeitarei o “andar de levante”
Comentário por 100azimutes 01/07/2009 @ 22:54